quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O LÚPUS E A DEPRESSÃO

O Lúpus e a Depressão
As pessoas com lúpus normalmente perguntam "Qual grau de depressão é normal?" e, "Quando um paciente deve procurar pelo auxílio de um profissional?". Estas questões refletem uma percepção de que a depressão ocorre com freqüência no curso do lúpus e que, normalmente, há uma incerteza com relação a se ela deve ou não ser esperada devido ao estresse e aos sacrifícios impostos pela doença. As pessoas com lúpus normalmente são alertadas que estados de depressão podem ser induzidos pelo próprio lúpus, pelos vários medicamentos usados para tratá-lo, e por um incontável número de fatores e forças na vida de um paciente que não têm relação alguma com o lúpus.

O que quer dizer o termo "depressão"?
A condição médica conhecida como Depressão Clínica não deve ser confundida com as pequenas alterações diárias de humor que todos nós experimentamos ao enfrentar alguma dificuldade. Ao nos sentirmos felizes ou angustiados ou invejosos ou irritados, todos estamos "deprimidos" de vez em quando. Por outro lado, a Doença Depressiva Clínica é um prolongado e desagradável estado de incapacidade. A propósito, essa é a mais comum condição psiquiátrica observada na população em geral (20% das mulheres e 10% dos homens), bem como na prática médica. A Depressão Clínica pode apresentar uma infinidade de sintomas físicos e psicológicos: tristeza e melancolia, estouros repentinos (normalmente sem nenhuma provocação), intranqüilidade ou ansiedade, irritabilidade, sentimentos de culpa ou remorso, baixa auto-estima, incapacidade de concentração, memória fraca, indecisão, falta de interesse nas coisas que normalmente gostava, fadiga e uma variedade de sintomas físicos tais como dores de cabeça, palpitações, diminuição do apetite e/ou performance sexual, outras dores no corpo, indigestão, constipação ou diarréia etc.

Nem todas as pessoas que sofrem de Depressão Clínica apresentam todos os sintomas mencionados acima. Os pacientes são considerados Clinicamente Deprimidos quando apresentam mau humor, distúrbios do sono e de apetite e, pelo menos, um ou dois dos sintomas mencionados por várias semanas ou graves o bastante para alteração o dia-a-dia.

Enquanto existem muitos sintomas associados à Depressão Clínica, existem sete que indicam o grau de depressão, são eles: sensação de fracasso, perda do interesse social, sentimento de punição, pensamentos suicidas, insatisfação, indecisão e choro.

Dois dos mais comuns sinais psicológicos da Depressão Clínica são as sensação de desespero e de abandono. Pessoas com sensação de desespero acreditam que sua aflição nunca vai passar, enquanto que as pessoas com sensação de abandono acham que eles estão além de qualquer ajuda, que ninguém se importa o bastante com eles ou, mesmo se quisessem, não poderiam ajudá-los.

Quão comum é a depressão nas pessoas com lúpus?
Alguns estudos médicos e psiquiátricos declaram que 15% das pessoas com doenças crônicas sofrem de Depressão Clínica; outros aumentam esse número para quase 60%. Embora mais comum em pessoas com doenças crônicas (ex.: LES) do que no resto da população, nem todos esses doentes vão sofrer de Depressão Clínica. Períodos de Depressão Clínica normalmente duram apenas alguns poucos meses nos pacientes com doenças crônicas.

A depressão normalmente passa despercebida nos pacientes com outro tipo de doença pois, muitas vezes, ela apresenta sintomas similares da condição médica em questão. No lúpus eritematoso sistêmico (LES), sintomas da depressão como letargia, perda de energia ou interesse, insônia, aumento nas dores, redução do apetite e/ou performance sexual etc., podem naturalmente ser atribuídos à própria doença.

Mesmo naqueles pacientes sem condições médicas crônicas, a maioria dos casos de depressão passa despercebido e sem serem tratados até que a doença atinja estágios mais avançados quando a gravidade do problema se torna insuportável para o paciente, e/ou até que a família ou o próprio médico não consigam mais ignorá-la. De fato, muitos estudos indicam que entre 30 e 50% dos casos mais graves de depressão não são diagnosticados pelos procedimentos médicos. Talvez o mais perturbador é saber que muitos estudos indicam que as desordens depressivas não são tratadas ou são tratadas de forma incorreta, mesmo quando diagnosticadas.

Muitos pacientes se recusam a admitir que estejam em um estado depressivo e negam com veemência que estão se sentindo infelizes, intimidados ou deprimidos. Este grupo de indivíduos apresentam o que os médicos chamam de depressão "disfarçada". Eles resistem à noção de estresse emocional, substituindo-o por vários sintomas físicos.

Médicos que conhecem bem o humor e a personalidade de seus pacientes, bem como seu estilo de vida e situação, podem reconhecer com mais facilidades as mudanças associadas à depressão. Da mesma forma, os pacientes estão mais aptos a se abrir sobre seus sentimentos quando são encorajados a fazê-lo por um médico no qual confiam e já estão familiarizados.

Infelizmente, existe uma noção distorcida de que as pessoas com um adoença crônica "têm razões para se sentirem deprimidos porque estão doentes". Essa crença interfere num diagnóstico precoce, num tratamento iniciado mais cedo, e num alívio imediato da Depressão Clínica. Essa crença também ignora o fato da Depressão Clínica causada pela doença crônica responde muito bem aos tratamentos psiquiátricos mais comuns e que, se o paciente for tratato exclusivamente da sua doença física, ele sofre dos males da depressão desnecessáriamente. (Continua...)

Um comentário:

ci disse...

Parabéns pelo blog...

Tomei a liberdade de a lincar num dos meus...

beijo da ci