segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

DISFUNÇÃO COGNITIVA EM PACIENTES COM LÚPUS

Disfunção cognitiva – é uma das principais manifestações neurológicas do Lupus, caracterizada por confusão, fadiga, memória fraca e dificuldade na articulação de pensamentos.

Pacientes com lupus eritematoso sistêmico (LES), frequentemente reclamam de dificuldades cognitivas. Eles relatam redução na atenção, memória fraca, e dificuldade na procura de palavras. Para alguns pacientes, estas deficiências são uma significativa fonte de incapacidade, com grande impacto nas funções sociais, educacionais e ocupacionais.
Pacientes relatam, por exemplo, que não se lembram dos nomes de pessoas em ocasiões sociais, ou não estudam efetivamente no curso da faculdade, ou falham no seguimento das responsabilidades do trabalho.

A avaliação neuropsicológica é o procedimento de diagnóstico para identificação de danos na função cognitiva. As baterias de testes neuropsicológicos avaliam a integridade funcional do cérebro, através do acesso a uma grande variedade de funções cognitivas como a atenção, memória, linguagem, capacidade espaço-visual, formação conceitual e função motora.

A performance de um paciente na avaliação neuropsicológica é comparada com dados normativos derivados de indivíduos demograficamente similares e saudáveis. Os danos cognitivos são identificados em pacientes cuja performance represente um declínio significativo em relação a um nível funcional anterior.

Deficiências cognitivas tem sido relatadas em 21 a 66% dos pacientes com LES. Elas são observadas em testes de atenção, memória espaço-visual e verbal, linguagem, construção e velocidade. As deficiências cognitivas tem sido identificadas em pacientes com doenças cerebrais ativas, como derrames, em pacientes com histórico de doença cerebral já resolvida, e em pacientes sem histórico de envolvimento cerebral.

O histórico natural ou o curso clínico da disfunção cognitiva em pacientes com LES não é claro. As deficiências cognitivas podem persistir, se resolver, ou caminhar para um declínio progressivo do funcionamento cognitivo. Em alguns estudos isolados, pesquisadores usaram eficazmente uma dosagem baixa de corticosteróides no tratamento das dificuldades cognitivas em pacientes com LES. Maiores estudos, no entanto, mostraram que as deficiências cognitivas flutuam durante o passar do tempo e podem ser solucionadas sem intervenções terapêuticas específicas.

As causas da disfunção cognitiva em pacientes de LES não são bem entendidas. A atividade generalizada da doença e o envolvimento específico de órgãos, como a doença renal e hipertensão, tem sido consideradas na alta prevalência da disfunção cognitiva em pacientes com LES. A terapia medicamentosa com corticosteróides, mecanismos imunológicos, e mesmo o stress emocional tem sido considerados. Nenhum destes fatores tem sido consistentemente associados a disfunção cognitiva em pacientes com LES.

Há um crescente papel da avaliação neuropsicológica na gestão das dificuldades cognitivas em pacientes com LES. Avaliações neuropsicológicas formais e objetivas podem ser usadas para estimar e confirmar deficiências cognitivas reportadas; terapias com corticosteróides ou outras drogas podem tratá-las com sucesso. As avaliações podem ser usadas também para monitorar o curso da disfunção cognitiva e documentar a resposta do paciente ao tratamento medicamentoso. Mesmo na ausência de tratamento definitivo ou cura, avaliações neuropsicológicas podem ser usadas:
- para descrever forças e fraquezas cognitivas;
- para acessar o impacto funcional das fraquezas cognitivas;
- para recomendar tratamentos incluindo técnicas de remediação do comportamento cognitivo, instruções vocacionais e psicoterapia.

Pacientes com LES podem se sentir aliviados em aprender que há uma evidência real de disfunção cognitiva, e usar avaliações descritivas de funcionamento cognitivo para modificar demandas profissionais e familiares, e melhorar a performance em uma determinada área.Pacientes com baixa capacidade de memória verbal, por exemplo, podem se beneficiar de técnicas de reabilitação cognitiva como, por exemplo, aprender a manter um determinado calendário ou a significativamente reduzir distração. As principais metas de uma avaliação neuropsicológica são melhorar as funções do dia-a-dia e a qualidade de vida.

10 comentários:

Polêmica disse...

Não conseguir se lembrar aonde guardou algo, ou não se lembrar do nome de alguém, é muito ruim, rs..quando isso acontece comigo eu fico com muita raiva. Eu acho que as pessoas que sofrem de LES, que tem perda de memória devem sim usar todas essas tecnicas, como por exemplo, usar calendários, ter um lugar específico para guardar cada coisa, em vez de cada dia guardar as coisas em um lugar diferente, tudo isso para facilitar o dia-a-dia!

Beijão!

João Videira Santos disse...

Muito interessante o que aqui se fica a conhecer sobre lúpus.

Voltarei.

Edneide felicidade disse...

NOSSA QUANDO ACHO QUE TUDO JA ME ACONTECEU VEM O LOBINHO E ME SURPREENDE...MINHA MEMORIA, QUE MEMORIA? GENTE ESSA NAO TENHO MAIS. MAIS TUDO BEM ANDO COM UM CADERNINHO NADA CHIK. BEIJOS

Edneide felicidade disse...

gente quando penso que ja tive tudo, vem o lobinho e me surpreende...memoria que memoria? essa ele ja me levou, mas tudo bem ando com um caderninho, nada chik.

Adriana disse...

Descobri que tenho Lupus há 4 anos. Porém, já havia perdido 2 empregos por causa dele (antes tratavam como Epilepsia). Faço tratamento com corticoides, anticoagulantes e gardenal
Como está difícil minha inclusão no mercado de trabalho, gostaria de saber se a deficiência cognitiva pode ser aceita como deficiência para as Cotas em Concursos Públicos?

Camila disse...

Faz muito sentido tudo isso. Eu tive uma forte crise e várias convulsões. Após isso fiquei esquecida, fraca...Será que não volta mais?

sonia reis disse...

verdade. minha memoria esta cada dia ficando mais fraca. esqueço de quase tudo, as vezesestou fazendo algo na cozinha, e ja paso pro quarto, esqueço o que tava fazendo na cozinha. datas de aniversario nem pensar.e quando os nomes nao saem, vc uqre falar mas nao lembra..vc pensa uma coisa e fala outra. vai a certo lugar e se pergunta o que vim fazer aqui.... meu Deus ta ficando um terror ando com a geladeiracheia de anotações. esqueço datas de medicos qdo nao anoto.ler.nao tenho mais atenção..leio varias vezes a msm coisa, se me perguntar o que eu li nao sei...preciso de ajuda !!!! mas como onde??????? ta dificil??? o que mais vai acontecer? lupus !artrose nos dois joelhos mais na coluna cervical,artrite,anetodermia.artrite, pressão alta,fibromialgia,doença de reynoult..aff. chega né..bati a cota.....

Anônimo disse...

Nossa, nunca tinha lido isso... Acho que agora isso explica muita coisa, mas ainda tenho duvidas. Sempre fui uma excelente aluna e aparece que agora sinto mais dificuldade de acompanhar os estudos... Isso pode ter mesmo relação com o lupus?

Anônimo disse...

Para se ter uma ideia de como anda minha memoria,demorei um tempão para organizar as frases que queria escrever aqui.Isso é muito ruim,chega dar fadiga.As pessoas que sofrem de LES realmente sofrem muito,em casa tudo é anotado para eu não esquecer,médicos,medicações etc...sem falar das dores terriveis que sinto nas articulações mas tenho uma irmã que me ajuda muito e lendo a matéria compreendi que não é só eu que passo por isso.Legal beijos!!! Marjory E. Mendes, 12/02/2013 16:46

Chiquinha Gonzaga disse...

Tenho lupus desde 22 nos, hj com 43 anos nunca tive problema de memória, só no inicio aos 22 anos que tive problemas de anemia e dores nas juntas, mas faz 12 anos que não tomo corticóides e agradeço a Deus por estar bem, acho que acreditar que essa doença não lhe pertence tb ajuda muito. Eu sempre vou ao médico para fazer exames, mas remédio não preciso tomar.Boa sorte a todos.