terça-feira, 6 de janeiro de 2009

LÚPUS E FENÔMENO DE RAYNAUD

FENÔMENO/DOENÇA DE RAYNAUD
O Fenômeno de Raynaud é uma alteração da coloração da pele que ocorre em crises, sendo caracterizada por palidez, cianose e rubor de aparecimento sequencial. Nem sempre ocorrem as três fases. Podem surgir palidez e cianose e cianose e rubor. As crises podem durar minutos ou horas, sendo o exame físico normal nos intervalos.

Na maioria das vezes acomete as mãos e os dedos, porém também pode envolver os pés, pododáctilos, nariz e orelha. Habitualmente é simétrico, porém pode acometer um dedo isoladamente.O fenômeno de Raynaud, caracteristicamente, deve ser reproduzido após exposição ao frio ou ao teste de imersão em água gelada.

O fenômeno de Raynaud costuma ser desencadeado pelo frio, uso do cigarro e por alterações emocionais, sendo mais comum nas mulheres.

Alteração no fluxo sanguíneo da pele é o principal mecanismo de regulação da temperatura corpórea. Vasoconstrição periférica em resposta ao frio é fisiológica e normal, e vasoconstrição suficiente para produzir palidez ou cianose pode ocorrer na população normal em exposição prolongada ou severa ao frio.

O fenômeno de Raynaud habitualmente segue o seguinte cronograma: na primeira fase ocorre vasoespasmo com consequente diminuição do fluxo sanguíneo para a rede capilar das extremidades causando a palidez. Na segunda fase, desaparecendo o espasmo das arteríolas e dos capilares arteriais, surge espasmo dos capilares venosos e vênulas, com estase sanguínea levando a maior extração de oxigênio com aumento de hemoglobina reduzida, resultando na cianose. Na terceira fase, desaparece o vasoespasmo e ocorre vasodilatação com a rede capilar preenchida por sangue arterializada e portanto causando o rubor. A hiperidrose pode estar associada.

Quando o fenômeno de Raynaud acontece sem doença básica é denominada de Fenômeno de Raynaud ou Fenômeno de Raynaud Primário.
Quando ocorre associado a outras doenças, é denominado de fenômeno de Raynaud Secundário ou Doença de Raynaud.

Várias doenças podem estar associadas ao fenômeno de Raynaud:
1. Medicamentos/drogas: cafeína, nicotina, estrogênio, derivados da ergotamina, simpaticomiméticos, beta-bloqueadores, anticoncepcionais orais, bleomicina, vinblastina, ciclosporina, clonidina.
2. Neoplasias
3. Doenças arteriais: trombangeite obliterante, arterites, artereoesclerose obliterante.
4. Neurogênicas: hemiplegias, hemiparesias, polineuropatia.
5. Doenças hematológicas: policitemia, trombocitopenia, crioproteinemia, mieloma.
6. Compressão neurovascular: síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome do túnel carpiano, síndrome de compressão da cintura escapular.
7. Doenças do tecido conjuntivo: lupus eritematoso sistêmico, esclerodermia, artrite reumatóide, polimiosite.
8. Profissionais trabalhadores com instrumentos de perfusão e/ou vibração.
9. Outras: hipotireoidismo, Doenças de Cushing, Doença de Graves e insuficiência arterial crônica.

Cerca de 13% dos portadores de fenômeno de Raynaud apresentarão Doença de Raynaud entre 2,8 e 10 anos pós o seu aparecimento, sendo condição associada mais frequente a esclerodermia.

Diagnóstico Clínico
Para o diagnóstico de Doença de Raynaud é necessário:
1. Presença do fenômeno de Raynaud.
2. Presença de artérias pérvias.
3. Ausência de qualquer doença causal num prazo mínimo de dois anos.
4. Crises são reproduzidas após exposição ao frio ou teste de imersão em água gelada.

Exames Complementares
- exames laboratoriais para detectar doenças associadas devem ser solicitados: hemograma, VHS, urinálise, Fator Reumatóide, FAN, pesquisa de Células LE, Sorologia para hepatite, Eletroforese de Proteínas, Crioglobulinemina, Complemento C3 e C4, Imunoglobulinas. Poucos pacientes portadores de Fenomeno de Raynaud desenvolverão Esclerodermia (esclerose sistêmica) se a investigação laboratorial for negativa por ocasião do seu aparecimento.
- radiografias do tórax em PA e perfil e Rx das mãos
- avaliação da circulação digital por Doppler e eventualmente a arteriografia nos pacientes refratários ao tratamento ou suspeitos de terem lesões proximais.

Diagnóstico Diferencial
Na maioria das vezes o diagnóstico é fácil, porém deve ser diferenciado da hiperidrose, hipersensibilidade ao frio, livedo reticularis, acrocianose, isquemia arterial severa e arterites.

Tratamento
O tratamento é feito com medidas ambientais afastando da exposição ao frio e a nicotina e outras drogas. Fatores emocionais devem ser adequadamente avaliados e se, necessário com apoio psicológico. Doenças coexistentes devem ser tratadas.

Agentes simpaticolíticos, bloqueadores do canal de cálcio e vasodilatadores são utilizados isoladamente ou associados (nifedipina, guanetidina, reserpina, prazocin, tolazoline, fenoxibenzidamina.

Tratamento Cirúrgico
Na maioria das vezes o tratamento cirúrgico é recomendado após período de utilização das medidas relacionadas acima. A simpatectomia oferece paliação aliviando a dor, cicatrizando as feridas e sinais de isquemia e, segundo a nossa experiência proporcionado alívio imediato da dor, da sensação de frios nas mãos com aumento da temperatura local, portanto com melhor qualidade de vida.

A literatura não apresenta consenso no que se refere a resultados a longo prazo. Todos os nossos pacientes submetidos a SIMPATECTOMIA TORÁCICA POR VIDEOTORACOSCOPIA para fenômeno/doença de Raynaud de mãos e dedos apresentaram melhora espetacular no pós operatório imediato e temos pacientes com cerca de 5 anos de cirurgia sem apresentar recidiva, estando em observação.

Conclusão
A Simpatectomia Torácica por Vídeotoracoscopia está indicada nos portadores de FENÔMENO/DOENÇA DE RAYNAUD das mãos e dedos quando as medidas gerais e o tratamento medicamentoso não obtiveram sucesso.

8 comentários:

eli laranja disse...

sou portadora de lupus com diagnostico desde 2001 desde 2006 tive uma pericardite e logo apos apresentou-se o fenomeno de raynaud moro no rio grande do sul tenho dores nas pontas dos dedos e cianose agora fazem + ou
- 2 meses notei q meus pés tb estão ficando cianosados faço tratamento mas não vi resultados

Anônimo disse...

fui diagnosticada com raynaud em 28 de dezembro e estou com medo e não sei o que fazer tenho 23 anos

sandra disse...

SOU PORTADORA DESSE FENÔMENO A MAIS DE 6 ANOS.
E NUNCA TIVE MELHORA, A CADA ANO QUE PASSA SOFRO MAIS PORQUE O INVERNO ME CASTIGA, NÃO ME DEIXA SAIR DE CASA, E NÃO ENTENDO O PORQUE QUE ESSA DOENÇA NÃO É MAIS ESTUDADA

Anônimo disse...

tenho o fenômeno de Reynaud ,acho um tedio não tomo medicamento porque não tenho doença associada ,graças a deus,cinto dores nos dedos e meus dedos e orelhas fica brancas sem sangue sinto um pouco nervosa ancioza e chato pra caramba mim apareceu depois da morte da minha mãe em um acidente ,choque emocional.

maio disse...

Procure um fisioterapeuta, a utilização do laser mostrou uma grande eficácia e pode diminuir a gravidade do sintomas. Espero ter ajudado.

sofia disse...

Sofia
Sofro dessa doença entre 2 a 3 anos para mim o inverno e horrível,visto quanta roupa posso e tenho sempre frio estou sempre gelada,
estou a tomar medicação a 1 ano e meio não piorei no verão, mas em cada inverno que passa piora sempre um pouco mais.
tudo de bom e força para enfrentar o novo inverno que vem ai.

Rosemar Rosseti disse...

Boa noite sei bem tudo isso que todas falaram , sofro com isso a mais de 20 anos horrivel, demorou pra eu entender que isso era um problema , mas trato a mais de 10 anos , sempre morei no lugar quente, mas agora moro sao paulo , muito frio , alguem sabe me dizer se tem como pedir afastamento pelo inss no inverno pois é impossivel trabalhar no frio com este problema . Grata

Ana disse...

Ana Maria da Silva reis a3anos sofro com essa doença fenômeno de reynaud sinto muitas dores no corpo também trabalho na área da enfermagem como é sofrido e até o momento não consigo afastamento