quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

LÚPUS E SINDROME ANTIFOSFOLIPÍDICA - SAF (I)

Síndrome Antifosfolípide
A síndrome antifosfolípide, também conhecida como SAF, é uma doença
que pode causar coagulação do sangue dentro dos vasos, levando ao
entupimento de veias ou artérias em qualquer parte do corpo e problemas
na gravidez.
Estas manifestações são causadas por anticorpos antifosfolipídios e
também podem ocorrer em indivíduos sem lúpus.

Anticorpos antifosfolípidios
Anticorpos antifosfolipídios são auto-anticorpos dirigidos contra fosfolipídios.
Estes anticorpos podem ser detectados no sangue, através de dois exames:
anticorpos anticardiolipina e anticoagulante lúpico.
Cerca de 45% dos pacientes com LES apresentam este exame positivo,
mas, não signifi ca que estes paciente obrigatoriamente terão trombose.
Pacientes que têm anticorpos antifosfolípides sempre positivos em títulos
altos têm maior risco de trombose do que os pacientes que tem títulos
baixos e de forma inconstante. Por isso, em geral, recomenda-se o uso de
aspirina infantil (que diminui a formação de coágulo) em pacientes com
maior risco de trombose.
Da mesma forma, o seguimento da gravidez nestas pacientes requer
atenção especial.

Manifestações clínicas da SAF
Trombose vascular:
As principais manifestações da SAF são as tromboses de vasos (artérias
e veias) e problemas na gravidez. A trombose venosa ocorre
principalmente em veias profundas das pernas (trombose venosa profunda),
mas também pode ocorrer em outras veias, como por exemplo, nos braços.
Dor, inchaço e vermelhidão na panturrilha pode ser sinal de trombose das
veias profundas da perna.
Quando o sangue coagulado sai da veia da perna e vai para o pulmão,
chama-se embolia pulmonar e causa falta de ar, tosse e dor no peito.
Às vezes há escarro com sangue. A embolia pulmonar é muito grave,
portanto, toda trombose venosa deve ser tratada rapidamente para
diminuir esta complicação.
A trombose em artérias ocorre principalmente nas artérias do cérebro,
causando ¨derrame¨, ou AVC (acidente vascular cerebral). Ela pode se
manifestar como fraqueza em um membro ou em um lado do corpo, mas,
dependendo do local do cérebro afetado, pode causar alteração visual,
tontura, ou alteração da memória e do raciocínio. Outras manifestações
são mais raras e não serão aqui abordadas.

Anticorpos antifosfolípides e problemas na gravidez
As mulheres que têm anticorpos antifosfolipídios podem apresentar
problemas durante a gestação, como abortos de repetição, óbito fetal, falta
de crescimento do feto e parto prematuro.
Além disso, a SAF favorece algumas complicações como a eclâmpsia e a
pré-eclampsia, em que a grávida fi ca com pressão alta e muito inchada.
Estas complicações ocorrem devido a trombose e entupimento de vasos
da placenta. (Continua...)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O LÚPUS NEONATAL (Bebês filhos de Lúpicas)

O que as futuras mamães lúpicas devem saber

O lúpus neonatal é o nome utilizado para defi nir uma síndrome
encontrada em recém-nascidos caracterizada principalmente
por lesões cutâneas, diminuição de glóbulos brancos e, mais
raramente, acometimento cardíaco (bloqueio cardíaco congênito),
causadas pelos anticorpos anti-Ro/SSA da mãe que passam para o
feto através da placenta. Estes anticorpos duram por 4 a 6 meses e
desaparecem espontaneamente, não necessitando tratamento.
Quais são as manifestações do lúpus neonatal?
As manifestações mais freqüentes do lúpus neonatal são lesões
cutâneas que podem estar presentes ao nascimento, mas, geralmente
surgem após algumas semanas de vida. As lesões cutâneas
costumam ser avermelhadas e tipicamente surgem em áreas
expostas ao sol, como na face e no couro cabeludo. Elas costumam
melhorar após alguns meses e desaparecem espontaneamente,
sem deixar cicatriz.

A manifestação mais grave do lúpus neonatal é o bloqueio
cardíaco que faz com que os batimentos cardíacos do bebê tenham
uma frequência bem menor do que o normal. O bloqueio cardíaco
pode ser diagnosticado ainda durante a gravidez, geralmente entre
a 18ª e 24ª semanas de gestação, através da ecocardiografi a fetal.
Se uma alteração de ritmo cardíaco for detectada, a paciente deve
ser encaminhada para um especialista para receber tratamento. O
tratamento de bebês com bloqueio cardíaco completo é feito com
a implantação de marca-passo cardíaco, para melhorar o batimento
do coração.
Outras manifestações menos freqüentes incluem anemia, diminuição
de plaquetas ou de glóbulos brancos e alterações de exames
do fígado que geralmente são manifestações leves e regridem sem
tratamento.

Qual a chance de uma paciente com lúpus eritematoso
sistêmico ter um bebê com lúpus neonatal?
O lúpus neonatal é extremamente raro, ocorrendo em aproximadamente
1 caso para 12.500 nascimentos e a chance de
uma mãe com lúpus eritematoso sistêmico ter um bebê com lúpus
neonatal é bastante baixa. Grávidas com LES ou que desejam
engravidar devem realizar exames de sangue que ajudam a predizer
a chance de o bebê nascer com alguma manifestação do lúpus neonatal.
Assim, são solicitados exames como a pesquisa de anticorpo
anti-Ro/SS-A e anti-La/SS-B. As chances de ter um fi lho com
lupus neonatal é maior em pacientes que já tiveram um fi lho com
o mesmo problema.

Há alguma maneira de prevenir o desenvolvimento do
lúpus neonatal?
Não, mas deve se dar atenção à identificação de gestantes com
este risco para se evitar maiores complicações para o recém
nascido. Mães com anticorpos anti-Ro e/ou anti-La, ou mães que
já tiveram um fi lho com manifestações do lúpus neonatal são as
que possuem maior risco. Nesses casos, deve ser realizado ecocardiografi
a fetal, periodicamente, especialmente entre a 18ª e 24ª
semanas de gestação. Se os batimentos cardíacos forem normais, a
criança deverá nascer saudável. Entretanto, se qualquer anormalidade
for detectada, a gestante deverá receber medicamentos e ser
encaminhada para acompanhamento especializado.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

LÚPUS E GRAVIDEZ (II)

Posso ingerir medicamentos durante a gravidez?

É sempre imprudência ingerir medicamentos desnecessários durante a gravidez. Contudo, medicamentos necessários não devem ser descontinuados.

É seguro usar a maioria dos medicamentos normalmente ingeridos por pacientes com LES durante a gravidez. Prednisona, Prednisolona e, provavelmente, methylprednisolona (Medrol) não atravessam a placenta e são seguros para o bebê. Específicamente, dexamethasona (Decadrol, Hexadrol) e betamethasona (Celestone) atingem o bebê e são usados SOMENTE quando é necessário tratar também do bebê. Por exemplo, esses medicamentos podem ser usados para ajudar os pulmões do bebê a madurar mais rapidamente se o bebê vai ser prematuro. Aspirina é seguro; é freqüentemente usada para proteger contra a toxemia da gravidez.

Estudos preliminares sugerem que azathioprine (Imuran) e hidroxicloriquina (Plaquinol) não afetam os bebês, mas isso ainda não é confirmado. Cyclophosphamide (Cytoxan) é definitivamente nocivo se ingerido durante os três primeiros meses de gravidez.

O que dizer sobre o tratamento profilático (preventivo) com Prednisona?
Alguns poucos médicos acham que toda grávida com lúpus deveria ingerir pequenas doses de Prednisona para prevenir o aborto. Contudo, ainda não há dados confirmados de que isso é necessário. Da mesma forma, alguns médicos acham que esteróides devem ser ministrados ou terem as doses aumentadas após o nascimento do bebê para evitar 'crise pós-parto'. Mais uma vez, não há evidência de que isso seja necessário na maioria dos casos.

O que são anticorpos antifosfolipídeos e porquê são tão importantes?
Cerca de 33 porcento de pacientes com lúpus têm anticorpos que interferem com as funções da placenta. Esses anticorpos são chamados antiphospholipid anticorpos, o anticoagulante lúpico ou anti-cadiolipina. Esses anticorpos podem causar coágulos sangüíneos, incluindo coágulos na placenta, que impedem o seu crescimento e funcionamento normais. Isso ocorre normalmente durante o segundo trimestre. Uma vez que a placenta é a passagem dos nutrientes da mãe para o feto, o crescimento do bebê é desacelerado. O bebê pode nascer neste momento e será normal se estiver grande o bastante.

O tratamento para pacientes com lúpus que tenham estes anticorpos ainda está sendo testado. Aspirina, Prednisona, Heparin e PLAMAPHERESIS têm sido sugeridos como possíveis terapias. Contudo, mesmo com o uso de tais medicamentos, estes anticorpos ainda assim podem conduzir para um aborto.

Meu bebê será normal? A prematuridade é o maior perigo para o bebê. Cerca de 50 porcento das gestações com lúpus terminam antes dos 9 meses, usualmente devido às complicações apresentadas acima. Bebês nascidos após 30 semanas ou com mais de 1,2 Kg crescem normalmente. Mesmo bebês com cerca de 800 g têm sobrevivido e com saúde em todos os aspectos; mas o resultado é incerto para bebês deste tamanho. Não há nenhuma anormalidade congênita que ocorra apenas em bebês de pacientes com lúpus (exceto como descrito abaixo), e nenhuma freqüência anormal de retardamento mental.

Meu bebê terá lúpus?
Cerca de 1/3 das pacientes com lúpus têm um anticorpo conhecido como anti-Ro ou anti-SSA. Aproximadamente 10 porcento das mulheres com anti-Ro, ou cerca de 3 porcento de todas as mulheres com lúpus, vão ter um bebê com uma síndrome conhecida como lúpus neo-natal. Lúpus Neo-natal não é LES. Ele consiste de um(a) RASH passageiro(a), anormalidades na contagem sangüínea também passageiras, e um tipo especial de anormalidade no batimento cardíaco. Se a anormalidade nos batimentos cardíacos ocorrer, o que é muito raro, ela é passível de tratamento; mas é permanente. O lúpus neo-natal é o único tipo de anormalidade congênita encontrada em crianças cujas mãe tem lúpus. Bebês com lúpus neo-natal que não têm o problema no coração, não apresentam nenhum traço da doença já pelos 3-6 meses de vida, e ela não reaparece. Mesmo bebês com a anormalidade nos batimentos cardíacos crescem normalmente. Se uma mão teve um filho com lúpus neo-natal, há cerca de 25 porcento de chances de dar à luz outra criança com o mesmo problema.

Vou precisar fazer uma cesariana?
Bebês muito prematuros, ou que mostrem sinais de estresse, bebês de mães que tenham baixo número de plaquetas, e bebês de mães que estejam muito doentes são quase sempre nascidos de cesariana. Este é, normalmente, o método mais rápido e seguro de nascimento para esses casos. Normalmente, a decisão sobre o tipo de parto não é tomada com antecipação devido às circunstâncias específicas do momento do parto.

Posso amamentar?
Apesar da amamentação ser possível para pacientes com lúpus, o leite materno pode não descer se o bebê for muito prematuro porque eles não são fortes o bastante para sugar, e assim, não podem ingerí-lo. Contudo, o leite pode ser bombeado do seio para alimentar um bebê prematuro que não seja forte para sugar, isso se a mãe assim desejar. Plaquinol e as drogas citotóxias (Cytoxan, Imuran) passam para o bebê através do leite. Alguns medicamentos, como a Prednisona, podem impedir a produção do leite. Se você estiver ingerindo algum medicamento é melhor não amamentar, mas se o seu médico permitir você pode fazê-lo.

Quem vai tomar conta do bebê?
Futuros pais não perguntam normalmente o que vai acontecer após o nascimento do bebê se a mãe estiver doente e incapacitada de cuidar da criança. Já que é possível que uma paciente com lúpus tenha futuros períodos de doença, é prudente considerar a possibilidade e ter planos alternativos para os cuidados da criança (esposo, avós etc.) se necessários.

domingo, 30 de novembro de 2008

O LÚPUS E A GRAVIDEZ

O Lúpus e a Gravidez

Uma vez que o lúpus afeta principalmente mulheres jovens, a gravidez sempre passa a ser uma questão crucial. Há anos atrás, todos os textos médicos diziam que pacientes com lúpus não poderiam ter filhos e, se ficassem grávidas, deveriam realizar abortos. Obviamente, essas conclusões antigas estavam erradas. (Imagino a decepção e o desencanto das mulheres, com isso o seu lúpus, com certeza, ficariam ativos). Hoje em dia, 50 porcento de todas as gestações com lúpus são completamente normais, e 25 porcento dão à luz bebês prematuros. A perda do feto, devido a abortos espontâneos, ou a morte do bebê são responsáveis pelos 25 porcento restantes. Embora nem todos os problemas da gravidez com lúpus tenham sido resolvidos, ela é possível, e o nascimento de crianças normais é a regra.

Mesmo sendo perfeitamente possível que pacientes com lúpus tenham filhos, a gravidez pode não ser fácil. É importante notar que apesar de muitas gestações com lúpus serem completamente normais, todas devem ser consideradas de "alto risco". "Alto risco" é o termo usado comumente pelo obstetras para indicar que problemas podem ocorrer e que devem ser antecipados. Grávidas com lúpus devem ser acompanhadas por obstetras que estejam inteiramente familiarizados com gestações de alto risco, e que trabalhem em conjunto com o médico principal da mulher (o que acompanha o lúpus). O parto deve ser planejado para um hospital que disponha de uma unidade especializada no tratamento de recém-nascidos prematuros. Mamães com LES não devem tentar o parto em casa, nem devem estar excessivamente preocupadas com parto "normal", uma vez que complicações durante o parto são freqüentes. Contudo, sob severa observação, os riscos para a saúde da mãe são diminuídos, e o nascimento de bebês saudáveis é perfeitamente possível.

A gravidez vai despertar o meu lúpus?

Apesar de alguns textos médicos mais antigos sugerirem que crises de LES são comuns na gravidez, estudos recentes indicam que essas crises são raras e normalmente facilmentes tratadas. A verdade é que, de 6 a 15 porcento dos pacientes com lúpus atualmente vão experimentar uma melhora nos sintomas do lúpus durante a gravidez. As crises normalmente ocorrem durante o primeiro ou segundo trimestre, ou durante os dois meses imediatamente após o parto. A maioria das crises tende a ser suave. Os sintomas mais comuns dessas crises são artrite, RASHES e fadiga. Aproximadamente 33 porcento das pacientes com lúpus vão ter uma diminuição do número de plaquesta no sangue durante a gravidez, e cerca de 20 porcento vão ter um aumento ou nova ocorrência de proteína na urina. Mulheres que concebem após 5-6 meses de remissão da doença são menos suscetíveis à uma crise do lúpus do que aquelas que ficam grávidas quando o lúpus está ativo. Nefrite lúpica antes da concepção também aumenta as chances de se ter uma crise durante a gravidez. É importante distinguir os sintomas de uma crise do lúpus das mudanças normais do corpo que ocorrem durante a gravidez. Por exemplo, o fato dos ligamentos que unem as juntas normalmente se tornarem mais suaves na gravidez, favorecem o acúmulo de fluidos nas juntas, especialmente nos joelhos, o que causa inchaços. Apesar disso sugerir um aumento na inflamação devido ao lúpus, também pode simplesmente ser o inchaço que normalmente ocorre na gravidez. Similarmente, LUPUS RASHES podem aparentar uma piora durante a gravidez, mas isto é usualmente devido a um maior fluxo de sangue para a pele, comum na gravidez (o 'tom rosado' de uma grávida). Muitas mulheres também podem experimentar o nascimento de cabelo na gravidez, seguido de uma grande queda de cabelo após o parto. Embora a queda de cabelos seja um sintoma da atividade do LES, é mais um resultado das mudanças que ocorrem durante uma gravidez normal.

Qual é o melhor momento para ficar grávida?
A resposta é simples: quando você estiver mais saudável. Durante a remissão, as mulheres têm muito menos problemas do que quando a doença está ativa. Os bebês ficam bem melhores, e todos se preocupam menos.

Regras de boa saúde são essenciais: coma bem, tome os medicamentos conforme a prescrição, visite seu(s) médico(s) regularmente, não fume, não beba e, certamente, não use drogas.
Por quê visitas freqüentes ao médico são tão importantes numa gravidez com lúpus?
Visitas freqüentes ao médico são importantes em qualquer gravidez de alto risco, isso porquê muitos problemas podem ser prevenidos, ou tratados mais facilmente, se observados no início.

Cerca de 20 porcento das pacientes com lúpus têm um súbito aumento da pressão sangüínea, de proteína na urina, ou ambos durante a gravidez. Isto é chamado toxemia da gravidez (ou pré-eclâmpsia, ou hipertensão induzida pela gravidez). Essa é uma situação muito séria requerendo tratamento imediato e, usualmente, um parto prematuro. A toxemia é mais comum em mulheres mais velhas, negras, com gêmeos, com problemas nos rins, com pressão alta, e em mulheres que fumam. A quantidade de SERUM COMPLEMENT e de plaquetas no sangue podem estar anormais nesses casos. Uma vez que os níveis de COMPLEMENT e de plaquetas também são anormais durante as crises de LES, pode ser difícil para o médico ter certeza de que não é uma crise que está causando esses sintomas. Se a toxemia é prontamente tratada a mulher não fica em perigo, mas há um grande risco de morte do bebê se isso não acontecer. Se a toxemia é ignorada ambos, a mulher e seu bebê, ficam em perigo.

Durante o progresso da gravidez é prudente que o médico verifique o crescimento do bebê através de ultra-sonografias (que são inofensivas). O médico também deve checar com freqüência o batimento cardíaco do bebê. Anormalidades no crescimento do bebê ou no seu batimento cardíaco podem ser os primeiros sinais de problemas que podem ser tratados.

sábado, 29 de novembro de 2008

MEDICAMENTOS USADOS NO TRATAMENTO DO LÚPUS (VII) PULSOTERAPIA

Como essas drogas atuam

Imuran
O Imuran é menos potente e menos efetivo do que o Cytoxan (Ciclofosfamida) mas, de longe, produz bem menos efeitos colaterais. Seu uso pode causar uma diminuição na contagem de glóbulos vermelhos, leucócitos e plaquetas, podendo aumentar o risco do desenvolvimento de linfoma (tumor maligno envolvendo os gânglios linfáticos, fígado e baço). Contudo, é muito bem tolerado na maioria dos casos. Exames de sangue para determinar a contagem de glóbulos brancos, plaquetas e glóbulos vermelhos devem ser feitos regularmente em pacientes que recebem o Imuran. Ajustes na dosagem são feitos se os exames indicarem uma séria diminuição nessa contagem sangüínea.

O Imuran também é usado para tratar hepatite lúpica, artrite reumatóide e outras desordens auto-imunes, e para reduzir a quantidade de esteróides ministrada.

Cytoxan
O Cytoxan pode causar efeitos colaterais, mas é bem tolerado pela maioria dos pacientes. Como o Imuran, pode causar distúrbios no estômago (mal-estar), além de uma diminuição na contagem de glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas. Exames de sangue para determinar essas contagens devem ser efetuadas mensalmente nos pacientes que recebem esse medicamento. Se a contagem sangüínea estiver muito baixa a dosagem do remédio é ajustada, fazendo com que o sangue volte aos níveis normais.

Os pacientes tratados com cytoxan, têm um maior risco de desenvolver leucemia, câncer na bexiga e outros tumores. Cytoxan também pode causar uma esterilidade temporária, e até mesmo permanente, em homens ou mulheres, evitando a possibilidade de terem filhos. Também pode causar danos a um feto em desenvolvimento se a mulher engravidar acidentalmente durante o tratamento com essa droga. O uso cytoxan pode causar sangramentos na bexiga mas, normalmente, isso pode ser evitado com a ingestão de grandes quantidades de água. O cytoxan também pode predispor o paciente a desenvolver herpes, apresentando bolhas doloridas na pele. Também pode causar queda de cabelos. Como o Imuran, o uso do cytoxan pode predispor o paciente a desenvolver infecções incomuns, particularmente quando é usado em combinação com altas doses de esteróides.

125 a 150 miligramas (mg) diariamente, ministradas oralmente, é uma típica dose de cytoxan. 75 mg ou menos pode ser considerada como uma dose baixa. De preferência, o cytoxan deve ser ingerido pela manhã e não à noite, quando a ingestão de líquidos é menor. O cytoxan e o imuran raramente são usados juntos, exceto em algumas condições experimentais. O cytoxan (mas não o imuran) pode ser ministrado em doses muito mais altas mensalmente, por via intravenosa. Isso pode ser muito mais efetivo para tratar problemas graves nos rins, e pode ajudar a evitar alguns efeitos colaterais que ocorrem quando a droga é ministradas diariamente por via oral.

Drogas correlatas
Outras drogas citotóxicas relacionadas à ciclofosfamida (cytoxan) são chlorambucil (Leukeran) e {nitrogen mustard} (Mustargen). O Leukeran tem efeitos colaterais similares aos do Cytoxan. Como afirmado acima, os pacientes que recebem ciclofosfamida (Cytoxan), azathioprine (Imuran), chlorambucil (Leukeran) ou Mustargen, devem ter sua contagem sangüínea monitorada mensalmente. Em resposta aos exames e aos efeitos colaterais, a dosagem dessas drogas é ajustada para prevenir ou reverter uma toxidade mais grave.

Methotrexate é normalmente ministrado oralmente uma vez por semana, embora também possa ser ministrado através de injeções. A dosagem é geralmente de 7,5 a 20 miligramas semanais. O Methotrexate é bem tolerado pela maioria dos pacientes. O seu uso no tratamento do lúpus ainda não foi exaustivamente testado, mas é comumente dado para o tratamento da artrite reumatóide e tem mostrado melhoras nas dores das juntas e nos inchaços. Ele não predispõe o paciente ao desenvolvimento de malignidades, contudo, doenças no fígado e reações nos pulmões podem ocorrer com o uso desse medicamento, além dele ser sensível à luz solar. Pode ser preciso reduzir a dose se houver algum problema nos rins. A contagem sangüínea também deve ser efetuada mensalmente nos pacientes que recebem essa droga e a dosagem deve ser alterada ao serem constatados efeitos colaterais.

Conclusão
Os medicamentos citotóxicos não são necessários e não deveriam ser usados nos casos mais brandos de lúpus, eles podem ser muito úteis quando os rins ou outros órgãos principais são afetados, ou ainda quando o lúpus é muito ativo e sintomático. Algumas vezes, uma biópsia dos rins ou de outros tecidos é necessária antes de se decidir pelo uso desses medicamentos. Mesmo nos casos mais sérios, com envolvimento de órgãos principais, eles não devem ser usados indefinidamente sem uma boa razão.

Portanto, é importante avaliar os benefícios e os riscos que envolvem uma terapia desse tipo. Os médicos usam o termo "taxa de custo-benefício" para descrever a comparação dos efeitos colaterais com os benefícios do medicamento. Apesar dessas drogas não serem aprovadas pelo FDA (órgão americano de controle de remédios), elas são comumente usadas e aceitas como uma prática padrão. Pessoas com lúpus deveriam discutir com seus médicos o índice de custo-benefício desse medicamentos.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

MEDICAMENTOS USADOS NO TRATAMENTO DO LÚPUS (VI) PULSOTERAPIA

PULSOTERAPIA (Quimioterapia)
Imuran, Cytoxan e Drogas Correlatas
Robert S. Katz, M.D.Presbyterian St. Lukes Medical CenterSt. Lukes's/Roosevelt Hospital CenterAssociate Professor, Rush Medical CollegeChicago, Illinois

Por que alguém iria tomar um medicamento que diminui abruptamente o número de leucócitos ou de plaquetas no sangue, levando a uma maior suscetibilidade à infecções ou uma tendência à hemorragias? Por que alguém iria tomar um medicamento que, de certo modo, o predispõe a certos tipos de câncer? As pessoas com lúpus tomam esses medicamentos porque eles podem ser muito úteis, especialmente nos casos em que os rins ou outros órgãos maiores são afetados.

Enquanto alguns dos efeitos colaterais do Imuran (azathioprine), Cytoxan (ciclofosfamida) e outras drogas imunossupresivas são observados acima, eles normalmente são reversíveis na redução a dosagem ou na suspensão da medicação. Embora essas drogas imunossupresivas tenham graves efeitos colaterais, elas podem ser de grande valia no tratamento do lúpus. Eles podem ajudar a prolongar a vida, preservar funções renais, reduzir os sintomas e, algumas vezes, podem servir para colocar a doença em remissão. Essas drogas ajudam a diminuir os sintomas e os danos a órgãos vitais, como os rins, até que uma remissão natural ocorra. Algumas vezes elas ajudam a atingir a remissão mais cedo.

As drogas imunossupresivas e citotóxicas são algumas vezes usadas no tratamento do lúpus sistêmico eritematoso (LES) por duas razões principais. Primeiro, elas são drogas potentes que ajudam reduzir a atividade da doença em órgãos superiores como os rins. Segundo, elas podem reduzir ou algumas vezes eliminar a necessidade de esteróides (derivados da cortisona como a prednisona. Quando são usados apenas esteróides para tratar o envolvimento de órgãos superiores, normalmente são necessárias altas doses. Isto aumenta o risco de efeitos colaterais de curto e longo prazo, o que pode algumas vezes ser pior do que a própria doença. Drogas imunossupresivas também podem ser usadas para complementar, ou para substituir os esteróides ou para diminuir a dose necessária, preservando os pacientes dos indesejáveis efeitos colaterais do tratamento com esteróides.

Como essas drogas atuam?
As células do nosso corpo se dividem e crescem à taxas variadas. Exemplos de rápida divisão de células incluem, anticorpos produzidos pelo sistema imunológico, células sangüíneas, células dos cabelos, {gonadal cells} e células malignas (câncer). Drogas citotóxicas (cito=célula) atuam na identificação e destruição de células que têm uma alta taxa de crescimento. No lúpus, o sistema imunológico está hiper-ativo e produz auto-anticorpos rapidamente. Medicamentos citotóxicos têm seu maior efeito contra células que se dividem rapidamente e, portanto, podem ser benéficas no tratamento do lúpus ao suprimir as células envolvidas na hiper-atividade imunológica. O efeito é uma redução da atividade da doença. Existem riscos associados ao uso de drogas citotóxicas. O sistema imunológico pode ser suprimido demais e causar um aumento da suscetibilidade à infecções como o herpes e a pneumonia. A medula óssea pode ser suprimida ao ponto haver uma diminuição de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. A supressão do crescimento das células do cabelo pode levar a uma pequena calvície. Os efeitos citotóxicos nas células {gonadal} podem levar a esterilidade. (Continua...)

MEDICAMENTOS USADOS NO TRATAMENTO DO LÚPUS (V)

Efeitos Colaterais do Uso Prolongado de Esteróides
Efeitos colaterais causadas pelo uso prolongado de esteroides incluem catarata, fraqueza muscular, necrose avascular dos ossos e osteoporose.

A necrose avascular dos ossos, usualmente associada à altas doses de prednisona por um longo período, causa dores, um esquadrinhamento anormal dos ossos e uma aspecto atípico no raio-X. Isso ocorre com mais freqüência no quadril, mas também pode afetar os ombros, joelhos e outras juntas. A necrose avascular dos ossos é bastante dolorida e normalmente requer uma biópsia da medula, estímulos elétricos, ou uma total substituição cirúrgica das juntas para alívio das dores.

Os esteróides reduzem a absorção de cálcio através do trato gastrointestinal, o que pode resultar em osteoporose ou afinação dos óssos. A osteoporose pode levar à fraturas, especialmente às fraturas de compressão das vértebras, causando fortes dores nas costas. A ingestão de cálcio e outros medicamentos podem ajudar a prevenir a osteoporose.

Também há uma relação entre os esteróides e a arteriosclerose prematura, que é um estreitamento dos vasos sangüíneos causados por depósitos de gordura (colesterol).

No geral, há uma clara relação entre os efeitos colaterais do uso de esteróides e a dosagem e duração do tratamento. Assim, altas doses de esteróides ministradas por um longo período causam mais efeitos colaterais do que uma dose mais baixa ministrada por um prazo menor.

Conclusão
Os corticosteróides são agentes antiinflamatórios extremamente eficientes e podem ser muito úteis no tratamento do lúpus ativo, apesar dos seus significantes efeitos colaterais. Os tratamentos com esteróides devem sempre ser mantidos nas doses mais baixas possíveis e nunca devem ser interrompidos subitamente. Esperamos que em breve sejam desenvolvidas terapias alternativas eficientes menos tóxicas do que os esteróides. A história da maioria das terapias mostra, contudo, que aquelas mais eficientes sempre são associadas a efeitos colaterais. Este, certamente, é o caso dos esteróides.