segunda-feira, 6 de setembro de 2010

INFECÇÃO URINÁRIA - Pielonefrite

INFECÇÃO URINÁRIA - PIELONEFRITE
Sinônimo: Infecção do rim, infecção urinária alta

O que é?

A pielonefrite é a infecção urinária que atingiu o rim. As bactérias ou microorganismos que entraram pela uretra passaram pela bexiga e se instalaram no rim. Nas mulheres, na maioria dos casos, isso ocorre pela contaminação e colonização perivaginal pela flora bacteriana fecal. O representante mais importante da flora bacteriana fecal é a Escherichia coli, responsável por 85-90% das infecções urinárias.

O que se sente?
Quando as bactérias atingem o rim, elas provocam no local um processo inflamatório e infeccioso. Como conseqüência imediata, o rim aumenta de tamanho, a região lombar se torna muito sensível a qualquer toque ou batida e a dor lombar ou no flanco torna-se constante.

A pielonefrite sempre é acompanhada de febre (> 37,5º C) e calafrios. A urina sai em pequenas quantidades, muitas vezes ao dia, sempre ardendo muito. Pode ocorrer gotejamento de sangue no final da micção. O paciente observa que a sua urina tornou-se mal cheirosa, turva e apresenta grumos (filamentos) no seu interior. Pode haver queixas digestivas, como náuseas, vômitos e anorexia. Desânimo, canseira e prostração podem ser importantes. No exame físico, o médico encontra febre, dor lombar a punho-percussão e, muitas vezes, dor à palpação abdominal.

Como se faz o diagnóstico?
O paciente que apresenta os sinais e sintomas, acima descritos, tem infecção urinária no rim. Para comprovar o diagnóstico, solicita-se um exame de urina e uma urocultura. O exame de urina apresenta sempre muitos leucócitos, eritrócitos e bactérias no sedimento urinário. Na urocultura, crescem germes em quantidades superiores a 100.000 por mililitro de urina. No hemograma, pode ter aumento dos leucócitos (leucocitose), e na hemossedimentação, o índice é muito elevado, mostrando a intensidade e gravidade da infecção urinária.

Em alguns casos, o paciente apresenta muita febre e intensos calafrios. Nesta situação, devemos afastar a possibilidade de invasão das bactérias na circulação sangüínea e, para encontrá-las, torna-se necessária uma coleta de sangue para realizar uma hemocultura. Com a hemocultura, além de identificarmos a bactéria que invadiu o sangue, podemos testar a sensibilidade aos antibióticos (antibiograma), permitindo, assim, um tratamento adequado da infecção sangüínea.

A ecografia ou o Rx simples de abdômen mostram o aumento do rim infectado e presença de possíveis lesões . Em certos casos, poderá ser necessária a urografia excretória e/ou cintilografia renal para verificar a existência e evolução das lesões renais.

Como se trata?
O tratamento é feito com o antibiótico sensível de acordo com o antibiograma realizado com as bactérias encontradas na urocultura. Em todos os casos de pielonefrite, além de tratar a infecção, deve-se pesquisar e tratar fatores complicadores que podem perpetuar ou impedir a melhora da infecção renal. Os fatores complicadores mais importantes são: cálculos, obstruções, estenoses congênitas ou adquiridas, refluxo vésico-ureteral, malformações congênitas, sondagens e cateteres.

Em alguns casos, o paciente com pielonefrite aguda requer tratamento hospitalar. Isto ocorre quando há infecção severa (septicemia), ou nos pacientes incapacitados ou incapazes de autocuidados ou que necessitem de administração de antibióticos endovenosos.

Como se previne?
No caso de pielonefrite aguda, é difícil para médico saber se o paciente é portador de uma infecção complicada ou não. Se for homem, é imperioso procurar as causas que possibilitaram a infecção, pois, sempre tem algum fator que contribuiu para o surgimento da pielonefrite.

No homem, as causas da pielonefrite, quase sempre, são obstrutivas. Na mulher, devem ser afastadas causas ginecológicas e, nos jovens, as doenças sexualmente transmissíveis.

Glossário

Leucócito:
glóbulo branco do sangue, participa dos processos de defesa do organismo.

Leucocitose: aumento do número de leucócitos no sangue.

Hemossedimentação: sedimentação de glóbulos vermelhos, realizada em tubos especiais durante uma hora.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

INFECÇÃO URINÁRIA: Cistite

INFECÇÃO URINÁRIA: CISTITE
Sinônimo: Infecção urinária baixa

Cistite é o nome que se dá para doenças inflamatórias e/ou infecciosas da bexiga. Por isso, é também chamada de infecção urinária baixa.

A cistite inflamatória sem infecção pode ter várias causas, como produtos químicos, medicamentos, doenças alérgicas, parasitárias, imunológicas e irradiação.

Neste artigo, vamos tratar somente da cistite infecciosa, que é causada principalmente por bactérias, mas também por fungos e vírus.

A cistite pode ser acompanhada de uretrite, prostatite e até pielonefrite (infecção urinária alta). A grande maioria das cistites não é complicada, porque não há obstruções, cálculos e malformações do trato urinário.

Incidência
A cistite é muito comum, ocorre em 3% das meninas e 1% dos meninos até os 10 anos de idade. Aproximadamente, 50% das mulheres farão cistite durante a sua vida. As mulheres em atividade sexual farão, no mínimo, um episódio de cistite a cada dois anos. A incidência de infecção urinária em homens é muito menor do que nas mulheres. Em média, ocorrem 5 a 8 casos de cistite por 10.000 homens, quase sempre resultantes de fatores obstrutivos (malformações, cálculos), diabetes mellitus e rim policístico.

Estudos já mostraram a importância social e econômica da cistite, pois, em média, o paciente tem sintomas durante seis dias, em três, há restrição de atividades e, ao menos em um, há necessidade de repouso.

Como se adquire?
As cistites mais freqüentes são causadas por germes da flora bacteriana oriundos do trato intestinal. Nas mulheres, as bactérias contaminam o intróito vaginal, possibilitando a entrada delas pela uretra e atingindo a bexiga. Aí localizadas, as bactérias entram em luta com as defesas do organismo e, se vencerem, surge a infecção urinária. Em algumas situações, nas pessoas sem defesa ou com fatores facilitadores, as bactérias podem avançar pelos ureteres até o rim, provocando pielonefrite (infecção urinária alta ou renal).

As mulheres, em atividade sexual freqüente, têm maior risco de invasão bacteriana na bexiga por terem a uretra curta. O uso de espermicidas, diafragma, chuveirinho e absorventes internos facilitam a contaminação da bexiga por bactérias da região peri-anal.

Os homens têm menos infecção urinária porque é mais difícil contaminar a uretra, por ser longa e não estar em contato com a região peri-anal. Outro fator que ajuda a evitar a infecção urinária, no homem, é que os fluidos prostáticos têm substâncias bactericidas.

O que se sente e como se manifesta?

Os pacientes com cistite queixam-se do aumento da freqüência das micções (polaciúria), da urgência miccional (micção imperiosa), de dor na bexiga (cistalgia), de ardência e dificuldade para urinar (disúria). A urina pode apresentar odor característico (mau cheiro) e raias de sangue. Desconforto geral, dores lombares baixas e irritação podem acompanhar o quadro. Febre geralmente não acompanha as cistites no adulto. A febre leve ou moderada pode estar presente nas crianças. Há situações em que o paciente tem germes na urina sem sintoma algum. É o que se chama de bacteriúria assintomática, bactérias na urina sem sintomas.

A cistite pode ser acompanhada de: uretrite, prostatite, vaginite e pielonefrite. A vaginite pode ser considerada quando houver corrimento, mau cheiro, prurido (coceira) e dor vaginal acompanhada de ardência para urinar.

Como se faz o diagnóstico?
Quando se suspeita de IU, a confirmação do diagnóstico é feita através de pesquisa e do encontro de bactérias na urina. A urocultura é considerada positiva quando o número de bactérias é superior a 100.000 por mililitro de urina. Contagens inferiores podem representar contaminações externas ou significar infecção urinária. Nestes casos, é importante a análise criteriosa do médico. Por todos estes motivos, a coleta da urina deve ser muito bem feita, como foi discutido no artigo Infecção Urinária.

Como se trata?
A infecção deve ser tratada precocemente e com toda a atenção. O tratamento deve ser específico para cada tipo de microorganismo infectante. A escolha do antibiótico mais adequado é baseada no antibiograma, que analisa e quantifica a resposta das bactérias aos antibióticos estudados na urocultura.

Além do tratamento por antibióticos, deve-se afastar todas as causas que possam provocar novas infecções, vistas no artigo Infecção Urinária.

Como se previne?
Para prevenir e/ou diminuir as possibilidades de infecção urinária, algumas ações são muito importantes.

Algumas atitudes, se observadas continuadamente, ajudam na prevenção da infecção urinária:
- Beber líquidos em abundância (acima de 2 litros por dia);
- Urinar freqüentemente de 3/3 horas (é o ideal);
- Fazer sexo seguro, evitando as infecções sexualmente transmissíveis
- Urinar após relações sexuais,

Para as mulheres é especialmente recomendado:
- Limpar-se sempre da frente para trás após defecar;
- Lavar a região peri-anal após as evacuações;
- Não usar absorventes internos;
- Evitar diafragma, espermicidas e chuveirinho;
- Evitar o uso constante de roupas íntimas de " Nylon" e jeans ;
- Evitar o uso indiscriminado e, sem justa causa, de antibióticos.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

INFECÇÃO URINÁRIA

INFECÇÃO URINÁRIA
A infecção do trato urinário (IU) constitui uma das principais causas de consulta na prática médica, só perdendo para as infecções respiratórias.

É importante, assim, definir e caracterizar a infecção urinária, bem como explicar os termos mais usados pelos médicos, o que é abordado neste primeiro artigo.

No segundo artigo trataremos das cistites (infecção urinária baixa) e, no terceiro, das pielonefrites (infecção urinária alta).

No quarto artigo, trataremos das infecções urinárias nas crianças e, no quinto, das infecções urinárias nas gestantes.

Assim, para que se tenha uma idéia abrangente da IU, é aconselhável ler os artigos em seqüência pois eles abordam as infecções urinárias de diferentes ângulos.

O que é ?
A IU é a presença de microorganismos em alguma parte do trato urinário. Quando surge no rim, chama-se pielonefrite; na bexiga, cistite; na próstata , prostatite e na uretra, uretrite.

A grande maioria das IU é causada por bactérias, mas também podem ser provocadas por vírus, fungos e outros microorganismos. A maioria das infecções urinárias ocorre pela invasão de alguma bactéria da flora bacteriana intestinal no trato urinário. A bactéria Escherichia coli, representa 80-95% dos invasores infectantes do trato urinário.

Às vezes, o paciente apresenta sintomas semelhantes aos da IU, como dor, ardência, urgência para urinar e aumento da freqüência, mas os exames culturais não mostram bactérias na urina.

Estes casos podem ser confundidos com IU e são chamados de síndrome uretral aguda, que pode ter outras causas não infecciosas, mas de origem inflamatória, como químicas, tóxicas, hormonais e irradiação.

Como ocorre?
O acesso dos microorganismos ao trato urinário se dá por via ascendente, ou seja, pela uretra, podendo se instalar na própria uretra e próstata, avançando para a bexiga e, com mais dificuldade, para o rim.

Dificilmente, as bactérias podem penetrar no trato urinário pela via sangüínea. Isto ocorre apenas quando existe infecção generalizada (septicemia) ou em indivíduos sem defesas imunitárias como aidéticos e transplantados. A intensidade da IU depende das defesas do paciente, da virulência do microorganismo e da capacidade de aderir à parede do trato urinário.

Como a urina é estéril, existem fatores que facilitam a contaminação do trato urinário, tais como:
- obstrução urinária: próstata aumentada, estenose de uretra, defeitos congênitos e outros
- corpos estranhos: sondas, cálculos (pedras nos rins), introdução de objetos na uretra (crianças)
- doenças neurológicas: traumatismo de coluna, bexiga neurogênica do diabetes
- fístulas genito-urinárias e do trato digestivo, colostomizados e constipados
- doenças sexualmente transmissíveis e infecções ginecológicas.

As orientações profiláticas e terapêuticas desses fatores facilitadores poderão ser vistas nos artigos sobre cistite, pielonefrite e infecção urinária na criança e grávida.

O que se sente ?
O ato de urinar é voluntário e indolor. A presença de:
- dor
- ardência
- dificuldade e/ou urgência para urinar
- micções urinárias muito freqüentes e de pequeno volume
- com urina de mau cheiro, de cor opaca
- com filamentos de muco

formam um conjunto de dados que permite ao médico suspeitar que o paciente está com infecção urinária. Muitas vezes, somam-se a esses sintomas e sinais dores na bexiga e no final da micção, gotejamentos de pequenas quantidades de sangue.

Quando o rim é atingido, o paciente apresenta, além dos sintomas anteriores, calafrios, febre e dor lombar, podendo, algumas vezes, ocorrer cólicas abdominais, náuseas e vômitos.

Como se faz o diagnóstico?
A presença dos sinais e sintomas de IU obriga o médico a solicitar um exame comum de urina e uma urocultura. Para isso, é muito importante que a coleta de uma amostra de urina seja feita sem contaminação. A contaminação, geralmente, é de microorganismos da uretra, da região perianal e algumas vezes da tosse ou das mãos que manuseiam os frascos esterilizados.

Há quatro métodos de coleta: jato urinário médio, coletor urinário, sondagem e punção da bexiga. Cada um desses métodos tem suas indicações, conveniências e complicações. O médico deve decidir qual é o melhor para o seu paciente.

A maioria das coletas é feita pelo jato médio da primeira urina da manhã, após uma higienização bem feita da região peri-uretral. O jato médio é o jato urinário colhido após ter sido desprezada a primeira porção da urina, que poderia estar contaminada por microorganismos da uretra.

O exame comum de urina, no caso de IU, apresenta bactérias e grande quantidade de leucócitos (glóbulos brancos), predominando sobre os eritrócitos (glóbulos vermelhos) no sedimento urinário.

O exame cultural da urina na IU mostra um crescimento de bactérias superior a 100.000 germes por mililitro de urina. Esta quantidade de bactérias permite o diagnóstico de IU em mais de 95% dos casos, desde que não tenha havido contaminação. Algumas vezes, em certas situações, um número menor de bactérias, também, pode significar IU.

É bom sempre lembrar que a urina é estéril e não deve ter bactérias.

Continue lendo sobre IU nos artigos sobre cistite e pielonefrite.

Glossário

Fístulas
: é uma abertura que comunica duas cavidades, como pode ocorrer com a bexiga e a vagina (fístula vésico-vaginal).

Colostomizado: é o paciente que precisa defecar em bolsas especiais, porque tem ânus contra a natureza.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

HEMODIÁLISE

HEMODIÁLISE

O que é?

Os pacientes que, por qualquer motivo, perderam a função renal e irreparavelmente atingiram a fase terminal da doença renal têm, hoje, três métodos de tratamento, que substituem as funções do rim: a diálise peritoneal, a hemodiálise e o transplante renal.

A diálise é um processo artificial que serve para retirar, por filtração, todas as substâncias indesejáveis acumuladas pela insuficiência renal crônica. Isto pode ser feito usando a membrana filtrante do rim artificial e/ou da membrana peritoneal.

Existem, portanto, dois tipos de diálise: a peritoneal e a hemodiálise.

Diálise Peritoneal
Este tipo de diálise aproveita a membrana peritoneal que reveste toda a cavidade abdominal do nosso corpo, para filtrar o sangue. Essa membrana se fosse totalmente estendida, teria uma superfície de dois metros quadrados, área de filtração suficiente para cumprir a função de limpeza das substâncias retidas pela insuficiência renal terminal.

Para realizar a diálise peritoneal, devemos introduzir um catéter especial dentro da cavidade abdominal e, através dele, fazer passar uma solução aquosa semelhante ao plasma. A solução permanece por um período necessário para que se realizem as trocas. Cada vez que uma solução nova é colocada dentro do abdômen e entra em contato com o peritônio, ele passa para a solução todos os tóxicos que devem ser retirados do organismo, realizando a função de filtração, equivalente ao rim.

Para realizar a mesma função de um rim normal trabalhando durante quatro horas, são necessárias 24 horas de diálise peritoneal ou 4 horas de hemodiálise.

A diálise peritoneal realizada no hospital é planejada segundo as necessidades do paciente, tendo em vista a situação da insuficiência renal terminal.

A diálise também pode ser realizada no domicílio do paciente, em local limpo e bem iluminado.

Neste caso é conhecida como DPAC (diálise peritoneal ambulatorial crônica).

O próprio paciente introduz a solução na cavidade abdominal, fazendo três trocas diárias de quatro horas de duração e, depois de drenada, nova solução é introduzida e assim por diante. Dependendo do caso, pode permanecer filtrando durante a noite. A DPAC permite todas as atividades comuns do dia-a-dia, viagens, exercícios, trabalho.

A diálise peritoneal pode ser usada cronicamente por anos, exigindo do paciente somente visitas médicas periódicas.


Hemodiálise
Na hemodiálise, é usada uma membrana dialisadora, formada por um conjunto de tubos finos, chamados de filtros capilares.

Para realizar a hemodiálise, é necessário fazer passar o sangue pelo filtro capilar. Para isso, é fundamental ter um vaso resistente e suficientemente acessível que permita ser puncionado três vezes por semana com agulhas especiais.

O vaso sangüíneo com essas características é obtido através de uma fístula artéria venosa (FAV).

A FAV é feita por um cirurgião vascular unindo uma veia e uma artéria superficial do braço de modo a permitir um fluxo de sangue superior a 250 ml/minuto.

Esse fluxo de sangue abundante passa pelo filtro capilar durante 4 horas, retirando tudo o que é indesejável. O rim artificial é uma máquina que controla a pressão do filtro, a velocidade e o volume de sangue que passam pelo capilar e o volume e a qualidade do líquido que banha o filtro.

Para realizar uma hemodiálise de bom padrão é necessário uma fístula artério-venosa com bom fluxo, um local com condições hospitalares; maquinaria adequada e assistência médica permanente.

Tendo essas condições, o paciente poderá realizar hemodiálise por muitos anos.

A hemodiálise tem a capacidade de filtração igual ao rim humano, dessa forma, uma hora de hemodiálise equivale a uma hora de funcionamento do rim normal.

A diferença entre a diálise e o rim normal é que na diálise realizamos três sessões de quatro horas, o equivalente a 12 horas semanais. Um rim normal trabalha na limpeza do organismo 24 horas por dia, sete dias da semana, perfazendo um total de 168 horas semanais. Portanto, o tratamento com rim artificial deixa o paciente 156 horas semanais sem filtração (168 -12=156).

Apesar de realizar somente 12 horas semanais de diálise, já está provado que uma pessoa pode viver bem, com boa qualidade de vida e trabalhar sem problemas.

A hemodiálise tem seus riscos como qualquer tipo de tratamento e apresenta complicações que devem ser evitadas como: hipertensão arterial, anemia severa, descalcificação, desnutrição, hepatite, aumento do peso por excesso de água ingerida e complicações das doenças que o paciente é portador.

Por isso, os médicos controlam e tratam os problemas clínicos (edema, pressão alta, tosse, falta de ar, anemia) em cada sessão de hemodiálise.

Uma vez por mês solicitam exames de sangue para ver como estão as taxas de uréia, fósforo e ácido úrico e observam o estado dos ossos para evitar a descalcificação. Orientam a dieta controlando as calorias, o sal e as proteínas para o controle da nutrição.

O número de pacientes que fazem diálise peritoneal é da ordem de 2 a 5 % dos renais crônicos e o restante faz hemodiálise. No Brasil, atualmente, existem 35.000 pacientes fazendo hemodiálise e somente 10% são transplantados anualmente, por isso a lista de espera é muito grande.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

HEMATÚRIA

HEMATÚRIA

Sinônimo: sangue na urina.

O que é?

Hematúria ou sangue na urina é um sinal que ocorre nas doenças renais e não pode ser ignorado pelos portadores, nem pelos médicos. Em toda a urina, há sempre hemácias (sangue) em quantidade muito reduzida. A hematúria pode ser microcópica ou macroscópica.

Chamamos de hematúria microscópica quando a perda de hemácias é superior a três hemácias por campo microscópico na análise do sedimento urinário ou maior do que 15-20 hemácias/microlitro em exames quantitativos realizados por citometria de fluxo.

A hematúria macroscópica é reconhecida a olho nu pela cor vermelha, de lavado de carne ou marrom como coca-cola.

Qualquer hematúria deve ser cuidadosamente investigada, independente da intensidade, porque geralmente a intensidade não é proporcional à gravidade da doença renal.

Como se faz o diagnóstico?
Para saber se uma pessoa tem hematúria microscópica, é necessário realizar um exame de urina. A coleta de urina deve ser a primeira da manhã, após uma higienização externa para evitar contaminações.

Além do sangue na urina, outros dados do exame de urina podem auxiliar a encontrar a causa e o local da hemáturia. Por exemplo, a presença de albumina (proteinúria) faz pensar em nefrites. O achado de bactérias e leucócitos (pus) sugerem infecção urinária, glicose na urina ocorre na diabete e assim por diante.

Como o exame de urina é usualmente empregado em avaliações de ”check up” é freqüente o achado de hematúria microscópica assintomática.

Embora na maioria dos casos tal achado possa estar relacionado a situações fisiológicas (menstruação, exercício físico e atividade sexual), transitórias (instrumentação urológica, infecção urinária) ou doenças de caráter não evolutivo, a sua presença deve ser investigada pela possibilidade de associação com doenças potencialmente graves como neoplasias, infecções e obstrução do trato urinário. As causas de hematúria são muitas e por isto a investigação pode ser demorada e exigir a realização de radiografias, tomografias, ecografias e outros exames de sangue e de urina para complementar o diagnóstico.

Analisando todas as informações colhidas, pode-se encontrar mais de 80 causas de hematúria e a maioria delas são microscópicas; por isso a investigação da hematúria é difícil e demorada.

Principais causas
Como as causas de sangramento urinário são em grande número busca-se identificar inicialmente aquelas mais simples e freqüentes: infecções urinárias, cálculos urinários, traumatismo renal, glomerulonefrites, nefrites hereditárias e rins policísticos. É importante também estar atento para a possibilidade de tumores dos rins, bexiga ou próstata srem a causa da hematúria.
- História de hematúria macroscópica
- Idade > 40 anos
- História de sintomas urinários irritativos
- Abuso de analgésicos
- História de irradiação pélvica
- Exposição ocupacional a agentes químicos (benzeno, aminas aromáticas)
- História de doença urológica
- História de infecção urinária recorrente (sobretudo em homens)

De hematúria estão relacionadas aos canais por onde passa a urina (ureter, bexiga, próstata e uretra) que podem ser atingidos por lesões inflamatórias, infecciosas, tumorais, congênitas, traumáticas, tóxicas e por cálculos urinários.

Há outras situações nas quais podemos encontrar urina de cor vermelha, mas que não significam sangue na urina. A urina pode ser tingida de vermelho por pigmentos ferruginosos, como a hemoglobina que é a proteína portadora de ferro dos glóbulos vermelhos. A mioglobina que é originária dos músculos também pode pigmentar de vermelho a urina.

Os pacientes portadores de defeitos congênitos ou próteses valvulares cardíacas podem, por problemas mecânicos, facilitar a destruição de glóbulos vermelhos, e com a liberação da hemoglobina corar a urina de cor vermelha.

Alimentos como beterraba, páprica e ruibarbo, medicamentos como piridium, rifampicina, laxativos como cáscara, sene e tranqüilizantes (fenotiazidas) e outros pigmentos de inúmeras substâncias podem colorir a urina de vermelho.

O exame de urina afasta essa possibilidade de confusão.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

RIM E GOTA

RIM E GOTA

Sinônimo: podraga

Histórico
A gota é conhecida há 2500 anos.
Hipócrates, 500 anos a.C., sentenciou seis aforismos breves:
- os eunucos não têm gota;
- as mulheres só a tem após a menopausa;
- os jovens só têm gota após a maturidade;
- na afecção gotosa, a inflamação desaparece em quarenta dias;
- a gota torna-se ativa na primavera e outono;
- o inchume e a dor nas juntas não provocam feridas.

A história moderna da gota e sua descrição em mínimos detalhes foi realizada em 1683, por Thomas Sydenham, que se baseou nos seus próprios sofrimentos de 34 anos de gotoso e portador de cálculos renais. Ele dizia "eu não sei qual é dor mais severa, se a da gota ou a do cálculo".

O que é?
É uma doença metabólica caracterizada por:
- deposição de cristais de uratos nas articulações, provocando ataques recorrentes de artrite;
- acúmulo de cristais formando depósitos (tofos);
- presença eventual de cálculos renais;
- possibilidade de provocar uma nefrite no interstício do rim chamada de nefrite intersticial úrica.

Trata-se de uma afecção comum, com distribuição universal ocorrendo em até 3% da população geral, principalmente, nos homens, aos 30-40 anos e, nas mulheres, no período pós-menopausa.

Todos os gotosos têm hiperuricemia, mas nem todos os hiperuricêmicos têm gota. A superprodução de ácido úrico é responsável por 10% dos casos e a diminuição da excreção urinária de ácido úrico representa os restantes 90% dos gotosos.

O típico ataque de gota caracteriza-se por 80% dos ataques iniciais incluindo uma só articulação, geralmente atingindo o dedo grande do pé, inflamação conhecida como podagra. A dor intensa é acompanhada de inflamação, edema e vermelhidão da articulação e, quando atinge outra articulação, pode ser confundida com artrite, tenosinuvite e até celulite. A gota, didaticamente, pode ser classificada em primária e secundária. A primária, mais comum, é de causa desconhecida e talvez ligada a fatores genéticos. A gota secundária deve-se a fatores predisponentes como:
- álcool,
- trauma,
- dieta hiperproteica,
- drogas que provocam grande destruição celular,
- uso abusivo de aspirina e diuréticos.

A gota evolui por três estágios clássicos:
- a artrite gotosa aguda,
- o intervalo gotoso sem ataques
- a gota crônica cheia de tofos de uratos nos ossos e articulações.

A gota aguda é predominantemente uma doença de extremidades, sendo que 75-90% do ataque inicial são monoarticulares e 50% deles são do dedo grande dos pés (podagra). Em ordem de freqüência, ocorre no tornozelo, calcanhar, joelho, pulso e dedos. Os ataques posteriores podem ser poliarticulares. O intervalo das crises depende muito do atendimento e do controle dos fatores predisponentes.

A lesão característica da gota é o tofo, que é um depósito de cristais de urato monosódico monohidratado, dispostos radialmente e rodeados por um processo inflamatório. São encontrados nas articulações, na sinovia das cartilagens, nas epífises dos ossos e nos interstícios do rim.

Os pacientes não tratados costumam sofrer novos ataques gotosos, 62% em 1 ano e 80% em 2 anos. A gota crônica ocorre sempre com artrite crônica, que pode ser confundida com artrite reumatóide ou poliartrite inflamatória crônica.

Prevalência e Incidência

Na Europa e nos EUA, a gota ocorre em até 0,5% da população. No Brasil, não temos estatísticas para comparar. Entretanto, sabemos que quanto maior a ingesta de proteínas (purinas) por uma população mais freqüente são os casos de hiperuricemia e de prováveis gotosos. Nas I e II guerras mundiais, com a diminuição de ingesta protéica, houve grande redução dos casos de gota, voltando a incidência ao normal no período de paz. O risco do desenvolvimento da gota aumenta com a elevação da hiperuricemia e da idade. No quadro, abaixo vemos a incidência percentual conforme a idade:

Ácido úrico 50 anos 60 anos
6,0 - 6,9 2 2
7,0 - 7,9 4 17
8,0 - 8,9 11 25
9,0 - 9,9 30 90

A hiperuricemia é correlacionada à masculinidade, índice ponderal, obesidade, ingesta protéica, nível social e educacional. Os jovens pré-puberes têm ácido úrico baixo, média de 3,5 mg%. O ácido úrico vai aumentando com o avançar da idade. Por isso, Hipócrates já falava no 1º e 3º aforismo que eunucos e jovens não têm gota. As mulheres na pré-menopausa, pela secreção de estrógenos, têm maior eliminação de ácido úrico pela urina e, por isso, só fazem gota na menopausa, 2º aforismo de Hipócrates.

Como se reconhece um gotoso?
A artrite do dedo grande do pé é característica da gota. A artrite inclui muita dor, vermelhidão, calor, inchume e dificuldade para caminhar. Pode haver artrite do calcanhar e outras articulações. A imagem da articulação mostra grande processo inflamatório, inchume e podem ocorrer tofos. Nos exames laboratoriais, temos hiperuricemia e sinais de inflamação.

Tratamento
O tratamento visa predominantemente à resolução da crise aguda e à normalização dos níveis plasmáticos de ácido úrico. A dor da crise é muito intensa e os antiinflamatórios não esteróides são usados com bastante freqüência porque diminuem a inflamação. Sempre se adiciona à colchicina, que é uma droga útil e efetiva na solução das crises gotosas.

Muito raramente será necessária a intervenção diretamente na articulação com punções articulares para aliviar a tensão e deposição de cristais de urato. Esta intervenção de emergência alivia muito os sintomas da podagra. Após os estudos clínicos, podemos usar medicações que diminuam a produção de ácido úrico ou outros que aumentem a excreção do mesmo pela urina, dependendo da origem da doença.

Como a gota é acompanhada de outras manifestações, deve-se estudar e tratar o gotoso multidisciplinarmente, porque ele pode se apresentar com cálculos renais, nefrite intersticial, hipertensão arterial e sintomas cardiovasculares.

O tratamento da gota inclui dieta com menos purinas. Para isso se diminui a ingesta de proteínas, principalmente as originárias da carne de gado, peixes e aves, frutos do mar, miúdos e grãos. Se o paciente é um grande produtor endógeno de ácido úrico, deve-se usar medicamento que bloqueie a produção de ácido úrico pelo fígado (alopurinol) e, se for um péssimo eliminador renal de ácido úrico, devemos usar medicamentos uricosúricos, que aumentem a excreção renal de ácido úrico.

sábado, 21 de agosto de 2010

EDEMA

EDEMA
Nome popular: Inchume.

O volume de líquidos corporais representa 60 a 70% do peso de uma pessoa jovem e magra. Nos obesos e idosos, o volume é menor: 50 a 60 %. Os líquidos estão distribuídos em 40% dentro da célula (intracelular) e 20% fora da célula (extracelular). Dos 20% que estão fora da célula, 5% correm nos vasos (intravascular) e 15% estão no interstício (líquido intersticial é o que fica entre os tecidos). Assim, um homem saudável de 70 kg tem cerca de 42 litros de água no corpo; 28 litros estão dentro das células e dos restantes 14 litros, 3,5 litros ficam circulando e 10,5 litros ficam no meio dos tecidos.

O nosso organismo possui vários sensores muito sensíveis que regulam o volume, a composição e a pressão dos líquidos. Quando necessário, para regularizar o meio interno, aumentam ou diminuem a secreção dos hormônios reguladores.

O que é?
O edema é o acúmulo anormal de líquido no espaço intersticial. Ele é constituído por uma solução aquosa de sais e proteínas do plasma, cuja exata composição varia com a causa do edema. Quando o líquido se acumula em todo o corpo, caracteriza-se o edema generalizado. Quando ocorre em locais determinados o edema é localizado, como por exemplo o edema nas pernas de pessoas com varizes.

Tipos de edema

Existem três tipos de edema: o edema comum, o linfedema e o mixedema.

Edema Comum

É composto de água e sal, quase sempre é generalizado.

O linfedema
É o edema cuja formação deve-se ao acúmulo de linfa. Ele ocorre nos casos em que os canais linfáticos estão obstruídos ou foram destruídos, como nas retiradas de gânglios na cirurgia de câncer do seio. O esvaziamento ganglionar facilita o surgimento do edema no braço. Outro exemplo de linfedema é a elefantíase, que se acompanha de grande deformação dos membros inferiores.

O mixedema
É outro tipo de edema de características especiais por ser duro e com aspecto da pele opaca, ocorrendo nos casos de hipotireoidismo. No mixedema, além da água e sais, há acúmulo de proteínas especiais produzidas no hipotireoidismo.

Como se apresenta?
O edema se apresenta sob duas formas: localizado e generalizado.

O linfedema e o mixedema são localizados. O edema comum pode se apresentar sob as duas formas. Quando generalizado, espalha-se por todo o corpo, principalmente membros, face e mãos. O edema generalizado pode ocorrer dentro do abdômen (ascite) e dentro do pulmão (edema pulmonar ou derrame pleural).

Qualquer tipo de edema, em qualquer localização, diminui a velocidade de circulação do sangue e, por esse meio mecânico (pressão), prejudica a nutrição e a eficiência dos tecidos.

Aspectos clínicos
Clinicamente, o edema pode ser um sinal de doença cardíaca, hepática, renal, desnutrição grave, hipotireoidismo, obstrução venosa e linfática.

Na formação do edema, essas doenças desencadeiam várias alterações que têm como conseqüência o edema. Cada uma dessas doenças tem suas características e as pessoas apresentam queixas especiais.

Na insuficiência cardíaca, além da falta de ar, o edema começa pelos membros inferiores e pode se expandir para dentro do pulmão (edema pulmonar) e do abdome (ascite). Na doença cardíaca ele é causado pela falta de força do coração para fazer o sangue circular.

Na doença hepática e na desnutrição, a causa é a falta da albumina do plasma. A albumina mantém os líquidos circulando. Quando a albumina está diminuída, abaixo de 2,5g% no sangue, não consegue mais manter a água dentro dos vasos e esta se difunde pelos tecidos.

Na doença renal, o edema é devido a retenção de água e sal que não são eliminados convenientemente.

Na obstrução venosa e linfática, o sangue e a linfa têm dificuldades de circular e se acumulam nos tecidos.

No hipotireoidismo, além da retenção de água e sal, há uma proteína associada que infiltra os tecidos (mixedema).

Um edema muito especial
Existe um edema comum muito encontrado e muito especial. É o edema idiopático, ainda de origem desconhecida, apesar de ser muito estudado. Ele ocorre em mulheres jovens de 20 a 50 anos. Geralmente, essas mulheres fazem uso e abuso de diuréticos ou catárticos para constipação intestinal. Quase sempre estão fazendo dieta para emagrecer, usando pouco sal e diuréticos. É um edema que surge nos membros e face rapidamente e sem causa aparente, podendo atingir todo o corpo. Hoje, pensa-se que a causa desse edema de origem desconhecida seja devido a um ou vários fatores:
- secreção de hormônios mineralocorticóides que retêm água e sal
- diminuição da albumina do plasma por dieta inadequada
- fatores circulatórios locais, com capilares alterados
- permanência, por longos períodos, na posição de pé (ortostatismo)
- malfuncionamento do retorno venoso e linfático
- alterações psicológicas que influiriam na atividade hormonal da mulher.

Há algumas drogas que podem causar edema: antidepressivos, antihipertensivos (beta-bloqueadores, clonidina, amlodipina, outros), hormônios (corticóides, estrógenos, progesterona, testosterona), antiinflamatórios não esteróides e uso crônico de diuréticos (vício) e catárticos.

Tratamento
Cada uma dessas causas de edema requer tratamento específico, portanto não há um só tipo de tratamento.